2 de set de 2010

Aguamentos




Meu grito nu toma lugar entre
Os elementos e minha boca, em assombro,
Derrama-me no vasto querer da insone noite.

Em meus ouvidos chora um mar,
Enquanto tento, entre agulhas do tempo,
Tecer o espaço para o que tenho doado.

Minha arca está cheia de fracas conquistas
E o silêncio incendeia o dia que recomeça
Como um avesso do nada refletido no espelho caco.

Lavo as mãos nas dobras do mar
E macero o sal da terra em teus ondulantes
Reflexos que adivinho-me com uma quase simpatia.

Suicida, o orvalho deflora a pétala quase morta
E numa calma virulenta o dia brota rubro
Numa margem rouca que a noite descuidou.

Náufraga de mim, adormeço com a noite,
Sem querer dar conta dos destroços de nós...



Patrícia Di Carlo
Desconheço a autoria da imagem retirada do Google


5 Comentários:

Rosana Remor disse...

Lindo!!E muito,muito profundo!!Bjs!!!

welze disse...

para ler e reler. muito denso e lindo

Cintia Branco disse...

Que frase linda: "Em meus ouvidos chora um mar."

Adorei,
Beijos

Fernanda Reali disse...

Bom dia, Paty! Adorei ler um poema logo de manhã. Ainda estou no meu projeto de ler um poema ao dia e tu me proporcionate esse bem hoje.
bjs

Cíntia disse...

Paty, quando vcs poetas ou poetisas fazem uma poesia, ela está demonstrando o que vai no íntimo de vcs???Essa linda poesia que fez por exemplo, ela é o que vc estava sentindo no momento???Pergunto porque acho isso muito supremo,um dom mesmo!Parabéns,muito profunda...beijokass

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