29 de nov de 2010

Encostada à Brisa

Vejo-me encostada à brisa
à espera de um regresso
feito de poucas memórias
enquanto destroços de nós
bóiam na enxurrada.
 

Remexo em minha arca antiga,
acaricio esquecidas incompreensões
enquanto sorrio para as minhas
muitas fracas conquistas.
 

As pernas pendentes na cama,
o sexo à vista, tudo sem pudor:
o meu horror e a minha 
total exposição.
 

Amigável o espelho me encara.
Não 
me permito enfrentá-lo;
 

o espelho é perigoso!
 

Toma sua forma
mas fica atrás, vigiando,
com olhar porcino e
respiração silente.
 

Assustada e nua assisto
minhas associações amorosas
submergirem.
 

Levanto-me das cinzas
com meus cabelos em brasas
queimada até a raiz
 

engolfo-me!
 

E, como nunca vi,
Percebo-me mais pura! 


Patrícia Di Carlo  
Imagem: Kaotika


4 Comentários:

Adriana Alencar disse...

Lindo, inspirador!
Bj
Adri

Sanbahia disse...

Paty, maravilhos e mui caliente seu poema. Parabéns.
Adorei sua visita e comentário em meu blog. Apesar dos pesares que o Rio de Janeiro continue lindo.
Um cheiro.

Giuliana: disse...

Tia Paty,

Que poesia linda! Tão sutil e intensa ao mesmo tempo.

Profunda! =]

Beijos.

Veronica Kraemer disse...

Paty, amo de paixão seus poemas, são você e todos nós.
saudadesssssssssssssssssssss de ti, minha arteira preferida!!!
Beijossssssssssssss
Vero

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