24 de mar de 2011

Contos by Joana: Maria Rapunzel - Doces Verdades



Joana Freire, minha querida e amada ladybug, a Jurubeba, Jô, Joaninha... O seu blog Doces Verdades fez um ano, e não há como deixar esse acontecimento passar em branco, pois é um blog mega multiuso! Ela fala com propriedade sobre BBB, cinema, livros, esportes, internet, atualidades e muito mais!
E dentre muuuitos dos post da eu escolhi esse conto dela, que me surpreendeu e que adorei!
Tenho certeza de que vocês também vão se deliciar e pra quem ainda não conhece, corra  até lá, pois Joana é mulher linda, loira, sensível e mega inteligente! ;oD






Contos by Joana: Maria Rapunzel!

6 de novembro de 2010

Minhas 10 Felicidades

Me chamo Maria Rapunzel, sim você já deve ter ouvido meu segundo nome em alguma história infantil lida por sua mãe antes de dormir. Eu nuca ouvi, pois não fui criada pela minha mãezinha, que infelizmente se foi muito cedo. Papai a substituiu por outras mamães algumas vezes, diversas para ser mais exata. Nunca tive um referencial feminino, quem mais se aproximou disso foi uma babá que cuidou de mim por quase 1 ano, mas papai também a transformou em mamãe e a partir daquele momento ela não se importou mais comigo.
Ele era um bom homem e rico, é claro. Acho que só amou a mamãe, por isso jamais se envolveu sério novamente.
Mas não pensem que minha história é infeliz, não posso me queixar. Sempre tive de tudo e não dizem que dinheiro compra felicidade? Eu tentei levar esse ditado ao pé da letra por anos.
Minha primeira felicidade foi o conjunto de maquiagem que a Mamãe nº 3 me deu com 5 anos, eu queria ser igual as minhas bonecas: linda, loira e alta.
Sabe, vocês devem estar pensando que uma menina de 5 anos não queira isso, mas hoje eu juro que devia desejar ser igual a Barbie, pois olhava para elas com um brilho indescritível nos olhos.
A segunda felicidade veio alguns anos depois, aos 8 anos. Eu ganhei do Papai e da Mamãe nº7 um conjunto rosa e um sandália com salto alto. Me senti uma verdadeira princesa.
Aos 10 anos cheguei a terceira felicidade, quando dei o primeiro selinho no filho do sócio do papai. Ele era bem mais alto do que eu e usava óculos. Apostamos qual pai tinha mais carros em casa, eu ganhei e por isso pedi um beijo como prêmio. Não foi uma sensação deliciosa, mas deixei de ser BV (Boca Virgem).
Com 12 anos veio a primeira menstruação e eu comecei a entender que o mundo nem é sempre feliz, que o dinheiro não diminuia a dor e nem me livraria do mau humor que todo mês aparecia. Nem se eu comprasse todas as roupas que eu quissesse, a vontade de arrancar os cabelos sumia. Ou mesmo de gritar com aquele colega de sala insuportável!
Dos 12 aos 15 anos eu vivi uma fase de transição, acho bonita essa palavra, pois na verdade, foi um inferno, papai já tinha arranjado a Mamãe nº 10, 11, 12 , 13 e 14. Algumas duravam apenas uma noite. Nunca tive contato com elas e nem queria.
Minha festa de debutante foi deslumbrante. E também foi minha quarta felicidade. Dancei com o menino mais lindo do colégio e com papai. Ganhei alguns presentes, mas a maioria eu dei para outras pessoas, já que o gosto dos convidados era pra lá de duvidoso.
Aos 17 anos conheci John. Não era lindo, mas era bastante sensual. Me apaixonei loucamente e foi com ele que descobri outros tipos de felicidade, se vocês me entendem.
Papai não o aprovou e pensei em fugir, mas preferi ter o coração partido a ficar sem as mordomias que tinha. Além do mais, John nunca falou em fugir realmente comigo e me fazer feliz.
Minha quinta felicidade foi o carro que papai me deu quando fiz 18 anos. Pela primeira vez me senti livre, gostei de abrir a capota do meu conversível e sentir o vento bater nos meus cabelos.
É pessoal, e eu descobri que poderia ser linda com 20 anos. Sempre achei as mamães que o papai arranjava mulheres belíssimas, mas mesmo com todo o dinheiro do mundo, eu nunca mudei a minha aparência.
Então com 20 anos, e a ajuda da mamãe nº 22, eu fiquei loira, peituda e magra! Foi a minha sexta felicidade. Meu sorriso era tão alvo, minha pele era um pêssego, minha cintura fazia inveja a muita mulher e meus cabelos loiros iam abaixo da cintura.
Aos 21 anos, eu Maria, transformei – me em Maria Rapaunzel. Meu nome artístico. Sei que as pessoas me invejam, mas não posso mudar o destino delas igual fiz com o meu.
A sétima felicidade chegou com 25 anos, Carlos Roberto, ele não tem nome de príncipe, eu sei. Parece mais galã de novela mexicana. No entanto ele frequentava a mesma clínica estética que eu, e tinha os dentes mais brancos e o cabelo mais platinado. Iríamos ter filhos lindos. Seria a minha oitava felicidade.
Mas não foi! Acabou no mesmo dia em que descobri qual era o real interesse dele.
A minha felicidade número oito foi quando desfilei como destaque em um carro alegórico no carnaval do Rio de Janeiro, na escola de samba patrocinada por adivinhem quem? Papai! Nesse tempo eu já tinha 27 anos.
E apenas 3 anos depois, aos 30, eu conquistei minha nona felicidade. Fui chamada para ser apresentadora de moda e fofoca em um canal novo que uma emissora famosa estava criando. Porém, meses depois, me disseram que eu não tinha talento e fui convidada a sair.
Pedi ajuda ao papai, já que ele conhecia diversos donos de emissoras, e fui apresentando programas aqui e acolá, mas não conseguia me estabelecer. Aparecia na televisão e nas revistas constantemente e passei a ser motivo de chacota pela mídia de celebridade.
Só que nunca baixei a cabeça, pois sabia desde pequena onde encontrar a felicidade. Sempre soube.
Depois de mais uma festa sem graça, com pessoas plastificadas, papos fúteis, flashes e sorrisos amarelos, eu voltei para os braços daquele que me amava. Amava Profundamente!
Que sempre me amou... que aguentou minha birras, me mimou, atendeu a todas as minhas exigências, que desejou me ver feliz, apesar de eu nunca ter sido. Aquele que queria me dar mais que dinheiro e objetos materiais, aquele que mesmo errando nunca deixou que eu me sentisse solitária, que jamais negou um pedido meu, e para quem eu recorri diversas noites quando queria chorar:
Papai!
Querem saber se ele foi minha décima felicidade? Não, não foi. Ele foi a única que eu tive...
Joana Freire
Para quem desejar ler contos de qualidade, de uma escritora que sou fã, acessem: A Vida Sem Manual

7 Comentários:

Giuliana: disse...

Oi coração!

Ótima escolha para homenagear este blog maravilhoso dessa blogueira espetacular. ;oD

Beijos

Lica disse...

Paty, tenho que agradecer a vc, pois só assim pude conhecer o rostinho da Jô...e olha que bato cartão no blog dela kkkk
Ela é uma querida, com posts interessantes, engraçados e até com dicas de viagem, até ganhei o sorteio dela...fiquei mega feliz.
Bela homenagem.

Bjão

Vicentina disse...

Parabéns a Joana, saúde e paz.
Que conto mais lindo adorei, gostei tbm da cara nova o blog, verde da felicidade, ficou show.

Vou la no blog da Joana conhecer.
Bye
Bjs

Jurubeba disse...

Paty,

Você sabe como gosto de você - e de todas vocês - por isso esse carinho e homenagem me tocaram muito. Fizeram dessa quinta um grande dia para mim!

Além da surpresa, de ver meu rosto e posts estampados por alguns blogs, foi lindo ler o que vocês escreveram.

Obrigada, do fundo do coração!]

Beijos ;)

ps. Eu gosto tanto desse conto!

Fernanda Reali disse...

Bla bla bla, bla bla bla, whiskas sachet, e eu continuo vendo a cahat ada dieckman no background do blog. Aff

Paty,
Eu nem lembrava que Jo tinha escrito esse texto!!!

Valeu, amiga!
bjs

Essa sou eu disse...

Tem sorteio no meu blog, apareça!
Beijo:)
Janice

Eliene Vila Nova disse...

ai que homenagem linda
só você coração mesmo amiga
saudades forever de você
aparece no msn
um domingo abençoado
beijos

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